Arquivo de julho, 2008

Marx para estrelas

Publicado: julho 29, 2008 em inícios... u.u
Tenho uma dialética com as estrelas

Somos e partimos do mesmo princípio:
O brilho.

Temos o mesmo destino indecifrável:
O fim.

Posamos diante dos olhos curiosos
De todos.

Às vezes até com certo descaso
Nos olham [ou nem olham]
Somos até cobiçados [às vezes]

No entanto, sofremos os mesmos revezes:

Entre tantos brilhos, na terra e no céu,
Em meio à polvorosa multidão
Noturna

Pousa sobre nós o mesmo véu
O manto azul da solidão
Que perdura…

(escrito antiigo…rs)

Seja bem-vinda, minha fé!

Publicado: julho 29, 2008 em inícios... u.u

Há uns dias fui há um terreiro de Umbanda. Muitas pessoas me perguntariam o eu fui fazer lá, que as coisas que veria me impressionariam, ou que me trariam maus agouros. Mas minha curiosidade, minha santa curiosidade, ainda é maior que o meu receio. Fui. Confesso que nos primeiros momentos me vi um pouco assustada, comportamento próprio do ser humano quando está na frente de algo desconhecido, quando não sabe como se portar, cruzar ou não os braços, olhar o quê, falar o quê, enfim… Senti muita coisa mesmo, meu corpo me deu tantos sinais que poderia pensar que alguma energia me percorria o corpo. Na verdade, como boa psicóloga comportamental, apenas me limitei a observar os respondentes provocados pela ansiedade frente ao desconhecido e às regras de que aquilo me faria mal, tão bem implantadas em nossas cabeças por anos de doutrinamento católico. Também como boa terapeuta, usei todos os conhecimentos que tinha de relaxamentos e respirações para conter o meu nervosismo-curiosidade que rodeavam meus sentidos, mas, estranhamente, meus sentidos só puderam se acalmar ao finalmente “falar” com a entidade maior daquele terreiro, quando uma forte sensação de relaxamento me percorreu o corpo, que já cansado de tanta tensão, enfim sossegou.

Tudo isso se torna muito interessante porque há tempos minha fé andava tremida. Muitas vezes questionei a existência de um Deus ou do amparo que este dava aos seus fiéis, sua justiça, às vezes tão injusta, aos nossos olhos. Quando se leu “mais do que se devia”, as certezas começam a rarear, e as dúvidas é que são as constantes de nossas vidas. Se há algo maior que nos ajuda nas dificuldades? Se existe um céu ou um Deus que irá nos redimir? Simplesmente não saberia responder, e por muito tempo o metafísico me foi mesmo uma disciplina ingrata que via como obstáculo para o crescimento pessoal das pessoas: quanto mais tempo se leva relacionando as causas dos nossos comportamentos e problemas a fontes fantásticas, menos colocamos o controle em nossas próprias mãos. E no que eu cria, e ainda creio substancialmente, é que nós temos o controle da maior parte das contingências, e que somos os maiores responsáveis pela maioria das coisas que nos acontece. Enfatizo “maior parte” ou “maioria”, porque apesar da arrogância de nós, cientistas, ainda continuam existindo contingências que não conseguimos controlar, ou ao menos identificar, coisas sem explicação para ciência. Antes eu diria que, mesmo sem explicação, não significa que esteja automaticamente explicado pela metafísica, mas que simplesmente não há explicação conhecida ainda. Digo antes porque meu coração andava pedindo algo em que acreditar. Lembro-me de uma frase, cujo autor não consigo recordar, que dizia: “mesmo se Deus não existisse, a humanidade precisaria inventá-lo”. E foi isso que senti: necessidade de inventar Deus dentro de mim. De uma energia boa que me dissesse que há coisas boas nesse mundo e que tudo pode dar certo nessa vida, que a fé te carrega quando nada mais pode fazer com que você levante. E todos esses pensamentos não se tratavam de resultados de dificuldades em minha vida, isoladamente, mas de uma série de acontecimentos ruins na vida de pessoas próximas, e como eu precisava de alguém maior que eu pra me dizer que tudo daria certo. Às vezes nós somos assim, precisamos de alguém que nos abrace e diga que tudo vai estar bem, mesmo que já saibamos disso, compreendamos as circunstâncias, entendamos os procedimentos e processos científicos envolvidos. Às vezes precisamos de nossos pais, nossos cônjuges, avós, pessoas com esse tipo de autoridade sobre nós. Às vezes, precisamos de alguma coisa parecida com Deus. Que traga o mesmo tipo de paz (estado de relaxamento profundo, caracterizado pela ausência de tensão diante de contingências de controle de respiração, visualização de imagens ou mudanças no tônus muscular). Saber disso às vezes não ajuda você a sentir isso. Não me sentia assim, desesperançosa, apenas precisava de alguma coisa maior que me confirmasse o que eu já pensava.

Voltando ao terreiro, você me pergunta: deu certo? Você se achou, achou essa paz?

Eu te digo que ainda não. Lá, vi pessoas de muita fé, jovens, velhos, adultos, pessoas que dedicam sua vida a ter fé, e a confiar nessa fé. Achei sim, uma vontade ainda maior de ter essa fé de volta, depois que os positivistas a tiraram de mim – não por uma má razão, coitados, a ciência precisa de dúvidas – mas de ter uma fé sabida, esperta, que me ajude no que eu preciso, mas que não me cegue, ou me coloque numa trincheira do medo de me comportar de determinadas formas, que vão contra a doutrina de x ou y. Posso dizer que as coisas mais belas daquele terreiro foram as músicas, as danças e a fé das pessoas. Me disseram que minha mãe é Oxum. Sua dança e músicas são das mais belas de todos os orixás, e realmente me sinto meio Oxum muitas vezes. Sinto incontestável admiração pela cultura de sincretismo afro-brasileira, sua popularização, a forma como os artistas provindos dessas tradições louvam sua fé em suas obras, artistas como Zeca Baleiro e Rita Ribeiro. Mas, ainda não é a minha fé. Pelo menos acredito que não. Ainda estou buscando uma fé que me possa mostrar o que há de bom no mundo, que as pessoas, ao contrário do que Freud e Nietzsche disseram nos meus cadernos de faculdade, não são essencialmente más. Espero encontrar algo que me diga que as pessoas são parte de algo maior, que interage com o mundo que Deus criou e que dessa interação aparecem todo o resto. E, especialmente, que podemos mudar essas interações, para o ganho de todos, com o mínimo de perdas possível. Por enquanto, essas respostas, apenas a ciência começar a querer me responder.

Disso tudo, ficou que ainda acredito na bondade, não como essência, mas como um “estar sendo bom”, quando há respeito, empatia, quando olho pro outro como se olhasse a mim mesma, quando desejo ao outro o que desejaria a mim mesma. Finalmente, ficou que desejo à minha fé que ela seja bem-vinda de volta, seja quais forem as conformações que ela tome daqui por diante.

Morena

Los Hermanos

Composição: Marcelo Camelo

É, morena, tá tudo bem
Sereno é quem tem
A paz de estar em par com Deus
Pode rir agora
Que o fio da maldade se enrola

Pra nós, todo o amor do mundo
Pra eles, o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho, sem caber de imaginar
Até o fim raiar

Pra nós, todo o amor do mundo
Pra eles, o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho, sem caber de imaginar
Até o fim raiar

Terapia

Publicado: julho 19, 2008 em inícios... u.u

Arranquei o dente ontem.
Prescrição médica: muito carinho…=)
ps: ainda postarei muito sobre Calvin&Haroldo, muitas vezes eles falam por mim…=)

Diário

Publicado: julho 16, 2008 em inícios... u.u
(leia ouvindo “O que é o amor”, do álbum Samba Meu, de Maria Rita)

Mais uma vez Maria Rita me atrapalha os pensamentos. Queira dar licença, ela diz, mas não se afasta. O que é esse sentimento entranhado nesse álbum? Nunca pude definir se o que ela canta me traz felicidade ou tristeza. Na verdade parece-me que todos os sambas têm esse ar de dor de amor, gostosa de sentir. Dor de amor boa é aquela compartilhada. Sofrer de amor sozinho não tem graça. Ser forte, ser uma rocha, não tem graça. A graça estar em se derramar todo de ouvido colado a Paulinho da Viola, Cartola, e Marisa Monte. No caso de Maria Rita, nesse novo álbum de samba, e, devo dizer de Vinícius e Toquinho, é que o que prevalece na música é o sentimento perene, que não se esvai. Aquela dor que se sofre sorrindo. Estranho, não? Mas muito gostoso.

Têm-se pensado cada vez mais nessa coisa do que é amar alguém. Digo têm-se, no plural, porque aumenta a estatística de amigas que se manifestam queixosas acerca do tema. Deixo a minha opinião, tão semelhante a de todas as pessoas que já tentaram definir o que é o amor. Me aproprio do samba que canta Maria Rita, e que cedo descobrirei quem compôs: não saberia responder com precisão o que é isso, porque acredito que nunca o senti. A efemeridade das relações não permitiu. Mas acho que, bem descrito na música, a percepção acaba mudando quando Isso aparece. Ouvidos mais suaves, olhos mais detalhistas, tato aguçado. Quando alguém te interessa, o olho muda. Já percebi isso: fica pequenininho, apertado, pra não perder nenhum detalhe. Às vezes se abre em cílios pra chamar a atenção. Mas quando você ama alguém todas as rugas desaparecem: seus olhos antes apertados atrás de detalhes, suavizam. Eles se abrem preguiçosos, certos de que aquele outro corpo que mira não sairá de seu campo de visão. A testa desenruga e as sobrancelhas ficam levemente arqueadas para o alto, como em prece, mas sem súplica. Em agradecimento… A boca ensaia um leve sorriso constante, que sai até nos 3X4. Veja que a luminosidade que as outras pessoas enxergam deve mesmo existir, mas não em forma de eletricidade, os olhos bem abertos. Acredito que a luz de quem ama se traduz num facho vindo de dentro, como as iluminações de esculturas e pinturas valiosas, quase sutil.

Não que eu já tenha vivido isso, só acredito que seja assim. É uma das minhas realizações de antes de morrer, viver a indolência, a preguiça de um amor de verdade. Amar é preguiça. É esticar-se numa rede olhando pro vento batendo nas folhas e não se preocupar se ele ou ela vai voltar. Eles voltam. Porque amar é preguiça de sentir medo de perder. É preguiça de perder. Não existe perder. Todo o tempo é ganhar. E a indolência de um bom samba combina com a preguiça de amar. Os dois se combinam com a lascívia entranhada nisso tudo, e mudam de ritmo de acordo com a necessidade do público envolvido. Samba e amor combinam. Muito mais do que se imagina.

Por isso me desafio a encontrar alguém que goste de samba, e que combine indolência, lascívia, ritmo e movimento. Será que eu acho? 😉

Um conto surreal

Publicado: julho 11, 2008 em inícios... u.u

Tacou-se para o mundo. Quantos dias levariam a viagem? 28, não, 29. Era ano bissexto. Levou arroz, trigo, lanterna, coragem, medo, uma mochila, e dez velas. As velas eram pra rezar quando faltasse a coragem; a coragem pra tirar do bolso quando desse medo; o medo, pra parar e descansar; a lanterna pra alumiar, trigo pra fazer bolinhos; arroz pra ter fartura sempre. Se se precisa de espaço assim se faz, pensava ele: ganha-se o mundo. Ouviu a mãe dizer um dia “fulaninho ganhou o mundo, nunca mais voltou pra casa. Ô, filho ingrato! Uma mãe faz tudo…” etc, etc. “Ganhou o mundo? Poxa…”, pensou. Que presente. Quem será que deu? Perguntou à mãe: ninguém deu, ele que foi atrás. Ah sim. Decidiu ir também, afinal não cabia mais onde estava. Cresceu e o espaço ficou pequeno, não lhe cabia mais dentro. Pensou que se ganhasse o mundo espaço não faltaria pra tantas pernas, braços e idéias que lhe cresceram tanto. Foi-se.

A mãe chorou, irmão gritou, sobrinho ficou, e a vida continuou. Levou na mochila as coisas poucas que não cabiam mais no seu mundo, mas que cabiam na mochila. Levou planos, idéias, vontades, desejos, futuro, sonhos, essas coisas que leva quando se vai atrás do mundo. Agora, bicho complicado, esse mundo. Quanto mais se corre atrás, mais longe ele parece ficar. Foi-se. Chegar, não ia, chegar, porque não se chega no mundo, tem que se ganhar ele. Então vamos lá.

Ia de dia, de noite, parando, falando, perguntando, descansava, caminhava, pegava trem, pegava balsa. Parou numa estação de trem antiga, toda pichada por fora, e toda cheia de história por dentro, e o homem lhe disse:

“Mundo? Já ouvi falar… Parece que tá em todo lugar meu filho, mas eu mesmo só conheço o meu, que é pequeno e também não cabe mais ninguém.”

Um mendigo o chamou baixinho:

“psst, ei! Ta atrás do mundo? Vai não minino, vai não, que tu num acha…Eu mesmo já tentei um monte, só consegui aqui esse pedacinho – apontando pro jornal de antes de ontem – aqui tem um pedacinho do mundo, mas pra olhar de longe, com olho de leitor. Mas o mundo que eu queria mesmo, num achei, nem tu vai achar, vai por mim…se eu fosse tu sentava aqui também..”

Assustado, saiu. Que mundo de papel, o quê! Pessoa triste, credo, vou achar o mundo sim, vou é ganhar ele todinho pra mim, com certeza, pensou.

Passou por um templo, onde todos rezavam, e encostou perguntando pelo mundo. Uma pessoa de branco parecendo muito serena, sorriu singelo e perguntou:

“que quer, meu jovem, com esse mundo? Ele que está sujo e perigoso, violento e odioso, cheio de mágoas e problemas pra consertar? Queira, não. Queira outro mundo, que tal? O mundo do céu, da vida após a morte, onde os espíritos evoluem e a vida continua!”

Mundo do céu? Humm… é, pode ser que lá tenha muito espaço, pensou com seu arroz. E onde é que eu consigo esse mundo, dona?, perguntou, dessa vez em voz alta mesmo.

“Aqui mesmo! Fique conosco e ganhe esse mundo pra você!”

Legal, demorou menos do que eu pensei! E cadê esse mundo então, quando que eu posso chegar lá?, perguntou cheio de animação.

“Ah, é só você ficar conosco, orando até o fim dessa vida, quando ela acabar, você terá o mundo do céu todinho!”

Hum?! Sabia que estava fácil demais… A vida toda é muito tempo, dona. Se eu não tenho nem espaço, vou ter tempo a perder? Valeu, até a próxima. Falou e saiu deixando a pessoa de branco cheia de exclamações pra lá.

E agora, onde eu procuro? Coçava o queixo com dúvidas e alguma fome. Caminhou um pouco mais pela cidade, até parar num prédio bonito, condomínio fechado, um por andar, amplo estacionamento, com vista para o mar. Aqui tem muito espaço, sorriu. Deve ser por aqui essa história de ganhar o mundo. E cruzou com um senhor muito empinado, cheio de terno, malas e cartões vermelho-fidelidade. Perguntou, na humildade de quem não conhece, onde se ganhava o mundo. O senhor se impacientou com aquilo no seu caminho, fazendo perguntas idiotas.

“Que é que você quer? O mundo? Deixa de ser idiota menino, aff, cada uma que a gente tem que agüentar! Meu filho, o mundo já é meu, vá procurar um pra você que esse aqui já tem dono! Sai, passa, filhote de pobre!”

Valha, impressionante, o homem de todo inchado parecia que ia inflar e voar ali mesmo, sem chek-in, pensou. Mas não queria aquele mundo dele lá, não. Parecia tão sem graça, sem riso. Que mundo feio e sozinho. Coçou o queixo.

Caminhando mais e mais, tomou fôlego, bebeu um pouco de coragem da sua camel-back e continuou a caminhar. Viu o sol sair e ir atrás do seu mundo solar, e as estrelas chegarem pra tomar conta daquele mundo que era delas até o sol voltar. As pernas e as idéias cansavam e a cabeça consentiu que as pernas parassem de andar. Sentou, olhou. Cabeça doída de pensar nesse mundo que podia ser dele, mas que, arre diacho, difícil demais de achar… Se esse mundo era assim tão difícil, como é que as pessoas viviam quando lhes faltava espaço? Todo mundo não já dizia que “esse menino quando crescer vai ganhar mundo”. E não tinha crescido? Tanto que não cabia mais no mundo da mãe, pai, sobrinho, papagaio e cachorro. Será se alguém também no mundo queria o mundo como ele? E será se essa pessoa também estava procurando como ele? Pensava que terras distantes eram boas opções, mas terras próximas também poderiam conter seu mundo, era uma questão de humor também. Mau-humor, cidade de praia, porque o sol e a brisa não deixam você se estressar. Humor variável, lugar de clima tropical, onde o tempo varia com você. Tendências maníacas, vá a climas temperados porque além de auxiliar pessoas com tendências depressivas que possivelmente habitem o local, o frio ajudará a conter os impulsos musculares: “é tão frio que você nem se mexe”, para casos extremos, então, vá para o Alaska.

Falando em frio, que fogo seria aquele que avistou? Mais na frente uma fumaça leve e uma melodia se propagavam conjuntamente orquestradas na noite de estrelas usurpadoras. Aproximou-se e viu um músico e sua amada. Eles faziam o par perfeito, ela, cheia de curvas, soava afinada e harmoniosa, ele acompanhava enquanto dedilhava-a com dedos hábeis.

Salve, disse.

Salve, o músico respondeu. E continuava a dedilhar sua amante de som macio.

Sabe alguma música sobre o mundo?

Sei várias. O mundo está aqui nos meus dedos e no som da minha amada.

Aquilo lhe pareceu sensato, mas era um mundo em que não cabia muita gente.

Você se engana, aqui cabem todas as pessoas do mundo. Cabem eu e minhas histórias, as histórias dos meus amigos, as vidas que passaram pelas minhas e as de todas as histórias que eu souber.

E onde elas estão? As histórias e as pessoas?

Eu tenho elas aqui – e bateu na fronte com o dedo médio – todas aqui.

Aí parece apertado…nunca fica apertado aí?

Às vezes fica…mas aí ela tira daqui de dentro e joga pras suas cordas, espalhando por aí, em melodia – disse tudo acariciando sua amada, cheia de curvas.

E sente-se bem? Quem te escuta no teu mundo?

Eu e minha amada. Nós nos escutamos. Mas às vezes sinto mesmo que me falta uma platéia, com mais aplausos e vozes. Outras sonoridades são necessárias de vez em quando, e de vez em quando eu fico triste com isso.

E por que não vai atrás disso tudo que te faz falta?

Prefiro não ir. E se não for bom o bastante pros outros mundos? No meu mundo eu sou o rei, e ela é a rainha. Quem me garante meu espaço fora do meu mundo? Não, não, prefiro ficar aqui…

E se te sentes triste o que faz, então?

Faço melodia. E meu mundo fica espaçoso de novo. E dedilhou lindamente sua amada, enchendo o ar de um som que quase se podia tocar, que deixava o corpo mole de dormir.

Dormiu enquanto pensava, que mundo belo era o do músico, o mais que até agora tinha visto. Mas que pequeno, ainda assim. Não caberia naquele mundo que tinha muita beleza, mas o espaço era todo pra ela. E onde não caberiam outras sonoridades e variações. Pensou em deixar uns dois goles de sua coragem com o músico, mas adormeceu pensando. Quando acordou, o sol tinha voltado e expulsado as estrelas todas da farra noturna e novamente brilhava imperial. O músico havia partido e deixado somente algumas fagulhas de sua fogueira pra trás. Levantou-se, comeu um pouco de arroz, e bebeu dois goles de coragem pra continuar a viagem. Botou a mochila nas costas e saiu, em frente.

Lá nas curvas da frente, vê um vulto que se dobra no vento. Que será?, não se parece com gente… Mais de perto pôde ver que o vulto que vislumbrara eram umas folhas de papel, amarradas ao galho de uma árvore. Elas se balançavam como vivas e suas folhas se lançavam e só não alçavam vôo por conta da linha que as prendia à árvore. Subitamente as palavras que jaziam nas folhas amareladas daquela grande árvore pareciam ganhar vida e começaram a se movimentar. Enlaçaram o viajante num círculo de letras e palavras ao redor de seu corpo, que aos poucos subia nos galhos e encontrava em cada diferente frase um significado especial e belo. Aprendeu novas letras e significados e um mundo diferente pairou ao seu redor: louco, novo, cheio de questões, mas com muitas respostas. Seus olhos se abriram cada vez mais, devagarzinho, como numa iluminação digna de qualquer Buda. As palavras começavam a mostrar-lhe o mundo que não conhecia, pensou consigo mesmo, mas pensou em imagens, porque as palavras lhe tomavam a concentração e a fórmula de escrever frases. Puxou uma, duas, três sentenças que se formavam, trocou-as, mudou os artigos de lugar, apressou um “e” na andança e gravitou com vírgulas e acentos. Meu mundo, pensou. Seus olhos encheram de lágrimas e uma frase esperta roubou uma para servir de ponto e vírgula. Ali o seu pensamento cabia; suas pernas cabiam, seus braços, suas lembranças, dores, alegrias. Ali cabia tudo. Agarrou-se às letras que passavam e compôs seu primeiro poema. Sentiu falta do músico que não estava ali para pôr-lhe melodia. Escreveu cartas, foi respondido, mais pessoas cabiam naquele mundo todo novo, todo seu. As pessoas liam seus textos, ouviam suas falas escritas, sua voz coreografada em versos e frases. Seu mundo novo, enfim, se fizera real. E continuou para todo o sempre num eterno bailar com seus vocábulos e estrofes. E ganhou o mundo. Um mundo só seu…mas que sempre cabia mais gente.

Publicado: julho 9, 2008 em inícios... u.u
by Catarina
Abri a caixa do meu coração
deixei só o cadeadinho pra alguém tirar
Também, era moleza demais
quer moleza, vai empurrar bebo em ladeira…hunf!
hehe
(Para Cacá, que tira fotos maravilhosas, sempre furtadas por mim) 😉

Sobre a maldade das pessoas…

Publicado: julho 9, 2008 em inícios... u.u

"que o acaso nos proteja"

Que exista maldade no mundo não há dúvidas…que as pessoas desejem mal umas às outras também não… mas até onde chega essa maldade? Será possível desejar tanto mal a outrem que acaba-se por realizar um ação contra alguém?
Meu amigo Júnior dizia-me ainda ontem que a Inveja é a mola que move o mundo…isso muito me entristece e me pasma… Todos já tivemos desavenças e brigas, rixas, enfim. Mas isso da inveja ainda me deixa muito surpresa, às vezes… Fico supresa com a disposição das pessoas para fazer o mal: qual a motivação de alguém que se levanta pela manhã, escova os dentes e vai panejar uma ação deliberada contra alguém? Não consigo conceber…
Me entrsitece porque a motivação a que denominamos inveja é tão-somente um desejo de ser o outro, de ter as coisas do outro, de possuir a vida do outro, motivação essa muito irracional, ilógica. Você nunca vai ter/ser o outro, ou o que ele tem. Essa “energia negativa” como chamamaos acaba atingindo mesmo a pessoa invejada, que se enfraquece, que se abala de certa forma. Mas pra quê e porquê? Não entendo certas motivações mundanas, sinceramente, não consigo sequer discorrer sobre esse tipo de pessoa, nem me colocar no lugar delas, porque inviabilidade da consecução do desejo já me afasta dele.
Não quero aqui ser a perfeitinha, mas a única sensação que me resta hoje é a de que tenho muito medo da maldade das pessoas, do que elas são capazes de fazer simplesmente para que o outro sofra, sinta-se mal, fique doente… Não fui criada assim, nesse meio, com esses propósitos, minha vida sempre foi cercada mesmo de muito amor…Mas não vou nem comentar, vai que um invejoso acessa este blog…credo! :S
Pra terminar meus parabéns a todos aqueles que como eu procuram dirimir essa maldade, e conseguem observar que o mundo é daqueles que observam a felicidade em suas próprias vidas, não na dos outros.
“Cantando eu mando um alô/ para você que acreditou/ que podia ser mais feliz vendo o outro ser feliz/ e abriu seu coração e seu sorriso todo para ela”
Natiruts