Arquivo de agosto, 2008

Meu bicho de estimação é um gafanhoto verde. Em alguns lugares do Brasil chamam esse bichinho de Esperança. Pois bem, na minha casa tem uma Esperança verdinha que mora atrás da geladeira. De tempos em tempos eu a perco, mas quando menos espero, ela aparece no corredor, me acompanhando no quarto, no banheiro, ou perto da geladeira. Nos dias mais pavorosos da minha vida lembro-me claramente de tê-la encontrado zanzando pela casa, com um olhar pidão, querendo atenção. Às vezes esqueço-me dela, e passo perdida pela sala, cozinha e quartos, procurando alguma coisa que não lembro o que é. Faz falta e eu nem consigo imaginar que falta é essa no meu coração. Quando menos espero, lá está ela apontando, verdinha, na porta do quintal.
Me pergunto quem me terá dado este bichinho de estimação, tão mesmo estimado, que às vezes desaparece quando preciso, que outras vezes perco na memória e reaparece pra me lembrar que estará sempre lá.
Nada de cães, gatos ou peixinhos. O melhor bichinho de estimação é um gafanhoto verde.

Calvin brincando em Teresina…

Publicado: agosto 18, 2008 em inícios... u.u

Amado.

Publicado: agosto 14, 2008 em inícios... u.u


Não, eu não tive o coração partido. Não ultimamente. Mas, continuo enxergando as coisas acontecerem dessa forma todos os dias. No medo de ser “dois”, ou na dúvida se ser dois vale a pena naquele momento, as pessoas continuam a observar apenas o seu sentir, e esquecem que há um outro, que sente, que sofre ou se alegra de acordo com as circunstâncias.

Por outro via, as pessoas podem, na ânsia exagerada de ser dois, na dúvida amarga da reciprocidade do sentimento, disponibilizar suas vidas e seus sentimentos sem pudores, sem receios, e por mais bela que seja essa entrega existe muito sofrimento aí quando a reciprocidade não vem…

Triste é viver só…triste é sentir-se só…triste é querer estar só e não conseguir…tristezas sempre hão de existir…viver até o último limite é belo em contos e romances…na vida real, um pouco de discernimento faz bem…

“E vamos viver assim? Nessa contenção de sentimentos, como uma barragem que contém um fluxo prestes a explodir? numa tensão velada, demosntrando estar tranqüila, enquanto meu coração arde em dúvidas?” Eu digo “seja sereno…”. Não que eu seja grande exemplo, mas talvez seja essa a idéia que eu quero seguir. Já disse a mim mesma antes que um bom relacionamento é feito de dois pontos essenciais, e não se espantem com a resposta: disponibilidade e ética. Disponibilidade, porque se duas pessoas estão dispostas a ficar juntas, a probabilidade e a motivação de que isso aconteça parece-me ser bem maior. Ética, porque se algo não vai bem, a primeira coisa que deve existir é o zelo pelo sentimento alheio, tanto quanto pelo seu. Lógico que outras coisas são necessárias, amor, atração, tesão, carinho, afinidades… Mas se faltarem ética e disponibilidade certamente é um mau começo…

Amado
Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém
Peço tanto a Deus
Para esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus
Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você
(Vanessa da Mata)

Mexeu muito comigo os posts de Júnior e Pedro sobre o gatinho que faleceu…Olhando meus arquivos antigos, descrobri um textinho que fiz sobre um gato, e que foi presente de aniversário de Pedro, em 2003 (!)…

Resolvi postá-lo para contribuir com eles nesse momento de luto.

(Leia ouvindo a música Elderly Woman Behind The Counter in a Small Town, do Pearl Jam…é a trilha adequada, uma vez que escrevi esse texto pensando na mulher atrás do balcão da qual fala essa música…)

Cansada de migalhas, ela matou o amante. Partiu-o em pedaços bem pequenos e alimentou os gatos. Depois, desiludida com a ingratidão dos gatos, saltou da janela de seu apartamento no oitavo andar. E todos os seus familiares choraram por uma semana, exceto sua mãe que chorou escondida no quarto por toda a vida. Os seus amigos lamentaram a perda e voltaram a viver suas vidas; casaram, tiveram filhos, trabalharam, foram bem-sucedidos e, alguns, também se jogaram da janela. Outros viveram felizes. Outros foram internados em hospitais psiquiátricos. Outros tiveram cirrose. Outros tiveram família. No seu trabalho, nada mudou. Os seus antigos amores, depois de perguntarem “Quem?”, lamentaram também. Depois tiveram o mesmo destino dos amigos. Sendo que foram felizes. Os inimigos também lamentaram. Mas ficaram aliviados também: “menos um”.
A cidade cresceu, a despeito dela. Ficou bonita. Maior. Mas, ainda com ares interioranos de conversas na calçada. O país mudou. As coisas mudaram. Mas eram ainda as mesmas. E depois de muitos anos escondida em uma escuridão que lhe feria os olhos e o coração, mais uma vez cansada das próprias migalhas, ela levantou-se e foi pra luz. Meio desconfortável a princípio, começou a se habituar àquela luz. E suas migalhas, aos poucos, começaram a se juntar num todo, ainda partido em pedaços maiores, mas um pouco mais coesos entre si. E os seus olhos começaram a se acostumar com a luz. E, então, uma nova chance lhe foi dada. E com um sopro, tornou-se um gato. Mas não um gato ingrato como os seus. Virou um gato de rua, de lata de lixo e sardinha. E da sua maravilhosa lata de lixo via o mundo com olhos de gato. O céu azul e as nuvens brancas, passatempo divertido de se observar depois de seu almoço no lixão. Outros gatos e gatas unindo-se em belas canções desafinadas ao luar, desviando de botas e chinelos despeitados de suas melodias felinas. Aventurando-se contra rotvailers estressados e pitbulls frustrados. Olhando crianças e lambendo suas mãos em parques; fugindo dos capetas que lhe amarravam latas no rabo. E todas as refeições no lixão, na emocionante luta contra os urubus e os catadores. Passeando em muros por todo o mundo. Aproximando-se para receber carinho e esquivando-se sem remorso quando quiser.
E todos os gatos lhe pareciam especiais, principalmente o rajadinho que lhe deu filhotes, mas que logo foram embora, mas sempre voltavam de vez em quando. Mas, ah, principalmente os saraus de gatos, cantando à meia-noite, apesar de algumas brigas às vezes. A vida clara e simples era. Boa essa vida de gato que levava. Mas, depois de muitas aventuras, sua sétima vida de gato foi levada, debaixo do pneu de um sedan qualquer. Os gatos, todos eles entristecidos, cantaram melodias felinas em sua homenagem. E, em seu nome, fizeram mais filhotes.
Mal chegou à luz e, de um sopro, se fez bebê, se fez criança, se fez menina, se fez mulher. E, ainda assim, teve suas migalhas, pedaços menores no coração. Mas, estes estavam mais coesos, não se partiriam com tanta facilidade. Porém, cansada das migalhas do amante, saiu de casa e passeou na praça de jardins bonitos. Encontrou um gato cujos olhos iluminaram os seus. Levou-o para uma casa nova. Escreveram um livro juntos sobre a vida dos gatos e cantavam à meia-noite, à luz da lua, ou das estrelas, dependendo do dia do mês. A vida, simples, era feliz, mas triste, porém feliz, contudo triste, no entanto feliz, entretanto triste, todavia feliz…

Publicado: agosto 1, 2008 em inícios... u.u

Todos, não, mas alguns…andam merecendo mesmo…hehehe
(post em solidariedade ao post do meu amigo Pedro, de hoje. Por um mundo sem pessoas mal-educadas e idiotas).