Arquivo de outubro, 2008

Publicado: outubro 30, 2008 em Sem-categoria
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santo anjo do senhor
meu zeloso guardador
se a ti me confiou a providência divina
me rege, me guarda, me protege, me ilumina
amém
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que tenha sido sem medo
que não tenha se sentido só
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Publicado: outubro 28, 2008 em pq sem dizer nada...se diz mais.

Publicado: outubro 28, 2008 em inícios... u.u
penso muito sobre isso de manhã cedo…rsrsrs

Relendo o texto de Quintana, cuidadosamente posto em uma página deste blog com o mero intuito de evitar críticas aos meus textos, pois quem os lê, faz porque quer, então não me reclame os conteúdos, acabei fazendo uma reflexão genuína. Meus textos vêm passando por uma fase chata, não do chato solícito, ou do chato conselheiro de todos os que lêem seus textos, mas do chato reclamão. Viver uma situação difícil e complicada, como estar sozinha na outra banda do país, não me parece motivos para tanto reclamo. Acabei passando da fase chato entristecido, quase deprimido de sua situação catastrófica, para o autochato. Já me incomoda pensar em textos deprês, com uma ponta de decepção de algumas coisas que vêm acontecendo. E veja só, leitor assíduo, nem os postei, poupando-lhe muitos textos chatos e de conteúdo emo-suicida. Consideração a você, que sempre me lê. Porque sei que pelo menos uma pessoa por dia me lê, dizem as estatísticas do wordpress…(pequena digressão, rs).

Enfim, meu trabalho, com adolescentes em conflito com a lei está tão agitado quanto o rio Poty. Mas o desafio de mudar comportamentos institucionalizados desde a fundação de Brasília é tão grande quanto diminuir o calor de Teresina e exige tanto quanto a dança do Créu: tem que ter disposição e habilidade…

Minha vida em Brasília me fez repensar o conceito de caro, de muito caro, de absurdo e de Pão de Açúcar no DF. Macarrão como artigo de luxo, só aqui. Também repensei os conceitos de moradia (morar com minha mãe era muito barato), de alimentação (comer em casa é mais barato e incrivelmente mais saudável e livre de salmonela que na rua) e de televisão. Viver sem TV é praticamente impossível nos dias de hoje, não pelo conteúdo riquíssimo de sua programação, mas pelo barulho que ela faz dentro de casa. Me disseram pra ligar o rádio, ouvi aí. Mas o rádio não tem imagens, não dá pra trocar uma idéia, bater um papo, fica parecendo que você está falando sozinha… E a TV é indispensável companheira para pessoas com distúrbios como eu e que falam sozinhas a maior parte do tempo. Sempre há a desculpa de que você estava falando com a TV. Nada mais normal. A ausência da TV destacou sua importância e me fez adquirir um vício ainda maior: internet. O que é pior, porque, a internet não faz nada sem que você mande! Que dependência! Você clica no botão, você escolhe o endereço, você procura o vídeo. Que interatividade que nada, quero que toda a programação seja jogada na minha frente, apenas com o poder de trocar entre Favorita e Pantanal. É o máximo de conforto pra um cérebro cansado de pensar ao longo de uma jornada de trabalho intensa, e está cansado demais para fazer escolhas. Como a TV teima em não funcionar, vou usando a internet indiscriminadamente. Incrível como depois de um tempo parece que você já viu todos os sites e o seu navegador só grava www.orkut.com. E seu MSN abre sozinho assim que o computador se liga. Deve ser um complô da Microsoft.

Às vezes me pergunto, nostálgica: o que eu fazia à noite em casa quando morava com meus pais? Não consigo recordar, mas o ócio das cidades-dormitório em Brasília me parece muito distante do que eu fazia. Outro dia tentei sair pra beber com o Fred, no meio da semana, pra conferir isso das horas passarem mais devagar aqui. Fomos. Lá pelas tantas, algumas long necks depois, o bar fechando, perguntei triunfante que horas eram. Ele disse: nove horas. Puta que pariu, pensei. Ainda vou ficar umas 2h acordada. Acho que quando estava em casa tinha TV, por isso passava mais depressa.

Bem, bem, leitor assíduo deste blog besta, agradeço sua presença constante, e espero não lhe ter enchido muito o saco com meu sarcasmo de stand up comedy de quinta, e vou ficando por aqui. Trar-lhe-ei (que antigo!) mais notícias desse meu mundo sem TV aos poucos, porque também tem dias que você não me lê, eu também já notei isso, seu danadinho! Agradeça, ou culpe, a ausência de TV também, meus textos estarem mais assíduos por aqui.

Tenha uma boa semana e cuide-se! 😉


Publicado: outubro 25, 2008 em pq sem dizer nada...se diz mais.

A saga do gafanhoto continua

Publicado: outubro 12, 2008 em inícios... u.u

Muitas pessoas têm me perguntado da saga do gafanhoto, se ela continua, ou quando ele aparecerá de novo. Pois bem, aqui na Capital Seca, meu gafanhoto parece se sentir bem à vontade. Eu o vejo em todos os cantos, em repetidas situações, sempre à minha frente, mostrando caminhos e pessoas, que se acumulam na trajetória e somam no meu cotidiano. Cada vez mais o encontro passeando, seja nas vias retas e esquisitas de BSB, seja no banquinho do metrô, seja nos ombros das pessoas amigas e solidárias que tenho encontrado. Consegui encontrar meu gafanhoto inclusive passeando nas mãos das pessoas que fazem o trabalho que eu farei daqui um mês: trabalhar com medidas sócio-educativas, com adolescentes em conflito com a lei. E esse foi um dos lugares mais inesperados que eu pensava vê-lo. Ainda postarei aqui um “diário de bordo” das minhas visitas e impressões sobre esse meu futuro trabalho-missão, que me abalaram bastante. Enfim, meu gafanhoto parece não ter tirado férias esses dias. Tem me acompanhado fiel em todos os espaços.

Apenas uma novidade se fez presente esses dias: meu gafanhoto parece que arrumou uma companhia. Junto dele apareceu um bichinho que eu ainda não consegui identificar, parece um inseto, mas não é verde como meu gafanhoto. Esse bichinho, se visto sozinho, parece feio, assustador e ganha um tamanho tão grande que até assusta. Ele anda por aí sempre que o gafanhoto aparece demais na vida da gente. Aparentemente sua função é fazer com que você não se apegue muito ao gafanhoto, porque este não estará sempre presente. No entanto, acredito que esse bichinho tenha uma função diferente, muito sutil, a qual deve-se mesmo respeitar e entender. Seu papel, me parece, é de conter os excessos que às vezes a presença do gafanhoto nos desperta. Ou mesmo lembrar, de uma forma às vezes dura e pedregosa, que o gafanhoto está lá, mas que não é ele que nos garante as conquistas. Afirmo isso porque, esses dias, momentaneamente, esse bichinho me apareceu sozinho, num momento que o gafanhoto não se encontrava, num momento em que eu me sentia tão feliz, que cheguei a acreditar que só existiam gafanhotos nessa vida. Eu o achei grande, feio, triste. Tive medo dele, e até raiva, por se apresentar num momento que a companhia do meu gafanhoto era tão constante.

Mas logo em seguida, passado o susto, vislumbrei meu gafanhoto lá na frente, que saltitou até o bichinho e se pôs ao seu lado. Nesse momento, o bichinho me pareceu menor, nem tão feio assim. Mesmo que naquelas circunstâncias que ele se apresentou, sua dureza não houvesse se esvaído, ainda era amargo e sisudo, seu tamanho diminui, tanto quanto sua importância. Pensei que meu gafanhoto estaria lá, ao meu lado, tantas vezes quantas aquele bichinho aparecesse. Guardada a importância do bichinho novo, agradeci por naquele momento em que ele apareceu, eu ainda conseguir vislumbrar meu gafanhoto lá, firme e forte.

O nome desse bichinho descobri depois: é Realidade.

(Primeiro post diretamente da Capital Seca…)