Arquivo de março, 2009

calvin2

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Se você é psicólogo, orgulhoso de sua profissão, assim como eu, aprenda uma lição que aprendi a duras penas: não diga que você é psicólogo, terapeuta, ou afins, numa balada. A reação tosca é unânime, o abençoado com o qual você está conversando-paquerando-querendo pegar sempre vai vir com essa tosquice: “você está me analisando agora?” Se não estava, acabei de começar e o diagnóstico é: tosco, fim da fila. Às vezes é uma curiosidade genuína e devido aos seus bons atributos você até consegue adiar o diagnóstico pra depois do beijo, ver se cola, e tal. Mas, continuar a noite inteira explicando que não dá pra analisar alguém a 1h da manhã, no escuro, com música alta e a terapeuta mais alta ainda, é osso. Pior ainda é quando o abençoado perde completamente a espontaneidade depois de revelado que você tem “superpoderes”, segundo a visão dele. Porque só com superpoderes pra eu responder à tosquice: “então diz aí quem eu sou! O que você pensa de mim?” E, você, amiga psicóloga, tenta salvar a noite dizendo que não dá pra sacar alguém assim tão rápido e, se até estiver de bom humor, jogar aquela piadinha indecorosa do trocadilho “conhecer você melhor” pra ver se o abençoado se toca.

De qualquer forma, já perdeu 50% da graça só a brincadeirinha tosca do “você está me analisando?”. Os 100% mesmo perde o cara que quer perder o tempo dele, mas principalmente o seu, passando a noite inteira falando de si, dos próprios comportamentos, e de como aquela conversa pode ajudar você a dar dicas pra ele de como se comportar. Tosco. O pior é que se a descuidada der trela, a história sempre acaba na ex-namorada e porque eles terminaram e como ainda são amigos e blá, blá, blá. E se você banca a, perdão, escrota, e ainda joga o sarcasmo “dá pra notar que você ainda fala muito dela, né?”, tipo, vai resolver o teu problema com a ex e me deixa de mão, o abençoado ainda solta a pérola “pára de me analisar, falei que você estava me analisando”. Até uma ameba o faria. E eu só faço no consultório, por 100 reais a hora. É, os preços de Brasília são mais caros…

Assim, já me redimi do pecado de expor minha profissão na balada, desde o último que soltou a pérola: “noooossa, eu odeio psicóloga! Fui reprovado em um psicotécnico de concurso.”  ¬¬ Ainda bem que esse se consertou a tempo, parou de explorar o lance de psicóloga na conversa e deu tudo certo. Mas, continuo firme e forte no conselho do meu amigo Dyego, psicólogo, doutor e mais experiente na arte de negar a profissão em determinadas ocasiões: “Julie, diz que é professora de inglês”.

A Igreja Católica Apostólica Romana, na pessoa do arcebispo do Recife, excomungou a equipe médica que realizou o aborto de uma menina de 9 anos, grávida de gêmeos, que havia sido abusada pelo próprio pai. Excomungou também a mãe da menina e a própria criança. Muitos bispos falaram sobre o assunto, alguns concordaram com a decisão oficial, outros falaram que deveria ter havido uma conciliação, isto é, a gravidez acompanhada, porque a medicina já está bem avançadinha pra isso. Finalmente, alguém, da Igreja, falou que não era para tanto, que a equipe médica, a mãe e a menina, poderiam ser perdoados SE  se arrependessem do que fizeram.

A lógica é tão tosca, tão contrasenso, que nem sei por onde começar a comentar. Menina de 9 ANOS (!!!), abusada pelo PAI (!!!), com o sistema reprodutor parcialmente desenvolvido (!!!), grávida de gêmeos (!!!) e com risco de morrer se levasse a gravidez até o fim (!!!). Posição da MÃE de 9 anos com relação a seus bebês: ela achava que estava com verminose.

É compreensível que ainda haja muita discussão sobre o aborto, por alguns grupos sociais dentre eles a Igreja não reconhecerem que EU FAÇO O QUE EU QUISER COM MEU CORPO enquanto mulher. Principalmente porque muitas mulheres ainda não tem esse discernimento do que é melhor, ou de como usar desse direito. Mas, daí a julgar “pavoroso” um aborto em uma menina de 9 anos, que foi abusada pelo pai… Me faz questionar porque ainda existem católicos no mundo.

Queimem a menina na fogueira. A culpa foi dela que seduziu o pai.

crianca

Nesse longo tempo de abstinência de escrita, virei leitora assídua de alguns blogs pelo mundo virtual afora. Navegando nesse mundo, uma dúvida sempre acabava martelando meu juízo: pra que serve um blog? Espaços virtuais de todos os modelos são encontrados hoje em dia, e mais variadas ainda são as suas finalidades. Tem blog de notícias, onde os anônimos bancam os jornalistas e destrincham as notícias do dia. Tem blog de utilidade pública, que ensina sobre relacionamentos amorosos, como comprar o carro certo, que tipo de comida fica bem com qual vinho. Tem os blogs pessoais, que não servem muito pra quem lê, servem mais pra quem escreve soltar seus bichos e levam meio que o layout dos diários virtuais, ideia inicial desse formato, e do meu também. E tem, finalmente, aqueles que são tudo isso num só. Os mais famosos estão na categoria relacionamentos, onde alguém usa de suas experiências pessoais para falar de relacionamento, dar dicas aos leitores, ou simplesmente fazer aquele jogo da terapia comunitária: eu falo de mim, se ser vir pra você, ótimo, se não, lê aí que mata a curiosidade.

E funciona. Os blogs que falam sobre relacionamento são os mais populares do mundo virtual e são os meus preferidos também. Atualmente virei fã de carteirinha do famoso Manual do Cafajeste (para mulheres), que intenciona desvendar o mundo masculino para as mulheres, ajudando essas doidas a melhor entender e se relacionar com esses doidos. O formato é o múltiplo: falando sobre suas experiências pessoais o Cafa dá dicas e conselhos para as meninas sobre a cabeça masculina, sexo, relacionamentos amorosos (ou a ausência deles) e como as meninas deveriam ser mais descoladas ao invés de grudentas. O que dá o título de preferido é menos o conteúdo e mais a forma como o Cafa escreve suas peripécias: texto fluido, sem muito rebuscamento, cheio de situações engraçadas contadas com muita espontaneidade e sem forçar a barra. Os comentários de quem lê o blog também são parte do show, muitas vezes mais engraçados que o próprio post. O Cafa inclusive transcendeu os objetivos do blog que fala de relacionamentos para um blog que ajuda o próprio autor a se relacionar no mundo real, proporcionando conhecer as leitoras e…sabe-se lá mais o quê, rsrs. Recentemente em um comentário de um dos posts eu sugeri que ele compartilhasse desse benefício que o blog lhe dá com os outros leitores, assim, todo mundo conheceria mais pessoas novas e interessantes, não só ele. A resposta foi uma piadinha, mas acho que não colou, rs.

Diferente do Cafa, o Manual do Cafajeste (para homens) não me cativou muito. É mais um blog pra um cara se gabar pros outros caras. Quer ser espontâneo, mas trata as situações de sexo, por exemplo, com pouca naturalidade. Não sei se ele é tão popular entre os caras como o Cafa é entre as meninas e meninos que comentam, mas eu não gostei. Precisaria da opinião de um homem aqui, então, se alguém se dispuser…

Fugindo a esses dois modelos está o divertidíssimo HTP – Homem é Tudo Palhaço. Nos favoritos do meu navegador e do meu blog, esse espaço é no mínimo redentor. Mulheres contam suas desventuras com os palhacinhos que aparecem no nosso dia-a-dia, as cantadas mais sem graça, os sem-noção que aparecem, e as, perdão, cagadas, que eles fazem quando estão com medo do tão temido compromisso. Muito divertido, vale a pena demais rir com as donas do circo. Se você for homem, não sugiro que leia, não. Vai acabar não entendendo o espírito da coisa, ficar despeitado e dizer que são um bando de mulheres sozinhas, feias e sem namorado. Na verdade, elas, como eu, são mulheres lindas, inteligentes, nada sozinhas e, sim, sem namorado. O que além de muita experiência rende muitas histórias… 😉

Mas isso é assunto pra outro post. Beijos!

Aos meus dois leitores fiéis devo minhas sinceras desculpas, por tanto tempo sem nenhum post, porém a ausência é muito bem justificada.

Segundo Catarina Santiago (2009), o prazer de escrever passa necessariamente por um bom teclado. Eu diria q a arte de postar também. Um bom post é um texto escrito com carinho, com prazer e bastante fluidez de pensamentos, o que, necessariamente, pede um bom teclado. Acontece que eu não possuo mais essa benesse, devido à minha recente socialização no cenário brasiliense. Tive que sacrificar um teclado em nome de todo um começo de interação social com esse povo estranho de Brasília. Explico: lá pelos idos de início de fevereiro, houve um happy hour na minha humilde residência, ainda na antiga kit, com o pessoal do trabalho. Vários acontecimentos chacoalharam a noite, várias garrafas de várias bebidas também, e uma delas achou de acertar o meu pobre notebook, responsável pela música da festa. No momento do acidente eu estava ocupada socorrendo outro acidente, este de natureza humana-bebeu demais-passando mal – que fique claro que eu socorria o sem-costume de beber, eu não era a tal pessoa – e quem socorreu meu pobre note foi o super-herói dos PCs, Marcelo. Me contaram depois que uma cachoeira de cerveja saiu de dentro do pobre note, mas, por vontade divina que checou meus cartões de crédito antes do acidente, só o teclado queimou. Como festa é festa, e o dono da casa que deu a festa é o palhaço que arca com as consequências todas do dia seguinte,ninguém arcou com a conta do notebook.Mas, como quem ta na chuva é pra se molhar, deixei pra lá. Afora todas as tosquices da festa, esta rende comentários divertidíssimos até hoje, e todos os que cometeram as palhaçadas serão devidamente zoados para sempre.

Bom, a única conseqüência pós-festa que me entristece muito é a falta do teclado, ou a presença do ridículo teclado externo de silicone que comprei, de péssima qualidade, que precisa que meus dedos sejam martelos pras letras saírem. Em resumo: podre o teclado, não comprem nunca um teclado USB desses de silicone, principalmente se não quiserem terminar o dia com uma tendinite nos dedos.

Por isso e por tanta saudade de falar as minhas abobrinhas no meu blog, resolvi arrumar um tempinho para escrever os posts no trabalho, e postá-los assim que chegar em casa. Tenho muita coisa acumulada pra escrever, vários posts na ponta dos dedos para compartilhar, coisas para comentar, enfim. Andei passeando como leitora em vários blogs da vida e deu pra sentir o quanto que esse mundo dos blogs de fato cresceu assustadoramente, e o quão variadas são as finalidades de ter um blog. Mas isso é assunto de um outro post.