Arquivo de maio, 2009

calvin3Onde há lição de casa, leia-se limpar a casa, ler artigos, escrever resumos…

Onde há brincar na neve, leia-se ver filmes e estar na internet ao longo do dia…

Onde há procrastinação e racionalização…bem, leia-se isso mesmo.

águas claras à noite

Na cidade que não enxerga, todos que olham e não veem, se escondem em suas tocas. De tanto não ver, de seus olhos não precisaram mais, e pela economia da natureza, transmutaram-se em criaturas mais econômicas para suas próprias rotinas. Seus olhos foram diminuindo a função, ficando quase cegos, apesar de ainda aparentarem perfeição. Seus membros se atrofiaram, garantindo-lhes apenas força suficiente para apertar a embreagem e fazer uma caminhadinha do parque. Mais impressionantemente, suas mãos quase sumiram, na falta de uso para o contato social. Seus ouvidos tornaram-se preparados para ouvir apenas o essencial e ignorar estímulos que não estivessem relacionados à sua rotina habitual.

Suas moradias adaptarem-se tanto quanto possível, uma vez que a natureza tornara-os mais econômicos nas relações pessoais. Suas casas possuíam as melhores tecnologias: TVs supergrandes, com brilho intenso e caixas de som que imitavam os mais fortes estímulos, já que eles não mais experienciavam tudo isso. Seus sofás eram tão macios e tão felpudos que imitavam abraços, toda a casa era quentinha e confortável. As janelas possuíam botões que regulavam a luminosidade, obtendo sempre o melhor pôr-do-sol, logicamente, gravado em tecnologia blue-ray. Sem a tela de projeção, ver-se-ia a janela do vizinho e quem gostaria disso? Conhecer o vizinho estava fora de cogitação…

Um estranho ser, no entanto, se estabelece no local. Estranho mesmo, pois era economicamente inviável: possuía os olhos que funcionavam bem, que faziam mais, que perscrutavam as pessoas procurando conhecê-las a fundo. Os moradores locais estranhavam, uma vez que esse tipo de olhar só se obtinha pagando 200 reais a hora, no consultório caríssimo da quadra X. Tinha também ouvidos atentos, que se aproximavam para escutar ainda mais, que ouvia detalhes, e que assustava por prestar tanta atenção – que inconveniente querer escutar além de detalhes banais. Esse estranho ser tinha também pernas saudáveis de andar quilômetros, mas o local não comportava esse movimento estranho de andar, economicamente inviável. Quase atropelado várias vezes, descobriu que o único lugar viável de andar eram os parques. Mas, finalmente, esse ser tinha o mais estranho de todos os hábitos e o mais desperdiçável também: tinha os braços longos e mãos hábeis que tentavam, veja só, tocar. E gesticulava e tocava nos moradores locais, que se encolhiam pasmados. Também tinha o terrível hábito de tentar envolver os braços ao redor das pessoas assim que terminava de ouvi-las, hábito bizarro e economicamente inviável para aqueles que eram ouvidos. Ser ouvido – como assim? Paga-se alguém para fazer isso. Com o adicional gratificante de que esta pessoa não te toca.

A criatura de hábitos estranhos, chegada de outras bandas começou a recolher-se então de suas manias. Não entendia como funcionava a vida economicamente viável e sentia falta de como podia usar todos os seus membros e sentidos. Recolheu-se no seu canto, que não possuía todas as tecnologias, de onde podia ver o movimento ritmado das ruas, sem telas de projeção atrapalhando sua real vista. Lá embaixo, olhava as pessoas e tentava compreender como funcionavam. Sentia falta de alguém com quem pudesse discutir suas impressões, alguém que não achasse tão louco verdadeiramente ouvir alguém, ou tocá-la sem segundas e terceiras intenções. Alguém que também visse.

Lá embaixo, olhando o movimento da rua, observou um casal, que seguravam seus cotoquinhos de mãos reduzidos pela ausência de outros contatos sociais. Eles se aconchegavam no frio, mas não se olhavam, olhavam pra frente. Naquele momento, a estranha criatura que tinha todos os músculos em bom funcionamento, braços longos e capazes de qualquer contato, bons olhos e bons ouvidos, sentia a maior e mais horrenda inveja que alguém seria capaz de sentir no mundo das pessoas vivas e mortas. Do escuro, ela viu.

E uma lágrima redonda e espessa caiu de seus grandes olhos.

(clique duas vezes pra ver o vídeo direto no youtube…direitos autorais e as grandes companhias, bla, bla, bla…)

Brasília é a Ferrari

E eu sou o Felipe Massa:

Estão acabando com meu talento.

(e isso, apesar da ironia patente, é uma coisa triste).

Queridos Amigos

Publicado: maio 23, 2009 em Sem-categoria

Alguém dos meus contatos do MSN tem a seguinte frase em seu nick: “tenho amores e amigos de fato nos lugares onde chego”. Acabei de descobrir que é de uma música do Zeca Pagodinho. Metade da poesia deposta, volto a pensar sobre ela. Eu não tenho amores e amigos de fato onde chego: tenho amores, tenho amigos, mas de fato, meus amigos não estão onde chego, estão no lugar de onde vim. Essa semana li um texto lindo do Pedro falando de nós, seus amigos, da LIGA e de fora dela. Agora a pouco li um texto do Junior, falando de sua aprovação em concurso, de sua felicidade, e de como foi bom deixar os seus tão felizes. Essa semana falei com Cyntia, Prsicilla, Rochelle, recebi recado do Daniel… Falei várias vezes com Gustavo. Deixei recado pro Hérlon, e falei com Wilton no MSN. E comentei no texto do Pedro que nós parecemos muito mais que um tanto de amigos juntos que se gostam muito, nós somos mais que a soma das partes. Qualquer resultado que saia dessa soma, não se repetirá em canto algum, pois essas partes que se reúnem tem uma força conjunta que não se explica. Uma cola mágica que faz com que juntos sejamos melhores.

Conversando com uma amiga daqui, ela me mostrava uma coleção de lembranças de todos os amores que já tivera: um namorado que lhe fizera uma carta, um outro que lhe deixou um presentinho, etc. Comecei a pensar cá comigo e lembrei das lembrancinhas que guardo: um trevo de 4 folhas plastificado que Pedro me deu em uma ocasião que não me lembro, cartinhas que Priscilla e Gustavo me mandaram, um chaveiro com um ideograma japonês de amizade que Gustavo me deu, uma pulseira feita de canudos que Junior me deu em um carnaval tosco que passamos juntos, entre tantas outras coisas. Já fui apaixonada muitas vezes por carinhas com quem namorei e fiquei. Mas amores de fato sempre foram os dos meus amigos. Eu sempre fui apaixonada por eles, todos eles. E as lembranças que eu vou guardar não serão de pessoas que entraram e saíram da minha vida, e que deixaram recordações que me doem lembrar. Serão lembranças que mostrarei aos meus netos e direi: “foi a tia Priscilla que fez, acredita?”, ou “foi o tio Pedro, vó?”, “só podia ter sido escrito pelo tio Gustavo!”.

Minha cabeça é do tamanho de um ônibus e meu coração pequenininho e covarde, mas dentro dele tem certezas estrondosas que o mantém batendo: primeiro de tudo, minha família; e logo depois, meus queridos amigos.

p.s: nós não temos nenhuma foto todo mundo junto, sempre tá faltando alguém! Tem que resolver esse problema! hehe

Eu já devia estar acostumada com meu ceticismo, mas meus gafanhotos são treinados pra me engambelar…

Don’t be so hopefull, it’s never what it sounds so.

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