Arquivo de setembro, 2010

Os tempos são outros…

Publicado: setembro 14, 2010 em cotidiano

rsrsrs…

Mais tirinhas do Will Tirando.

Nada. Curta e grossamente. Nada. Muito se fala hoje sobre as mulheres, sobre o universo feminino, como as mulheres se comportam, como são ímpares, e por aí vai. Mas dos homens… eles falam para si mesmo, uns para os outros, e o fazem muito bem, em revistas, jornais, artigos, colunas. Mas sobre eles, não vi. Algumas mulheres tentaram essa ingrata missão, mas sem querer desmerecer as colegas, ainda não vi uma resposta razoável para essa pergunta: o que os homens querem? Poderia pensar em alguma resposta bem simplista: sexo, mulheres, ser bem-sucedido. Dizem que a cabeça dos homens é de uma simplicidade descomunal, o oposto da complexidade feminina. Mas é justamente essa simplicidade que me dá um nó na cabeça.

Das experiências que já tive, todos os homens pareciam ter um problema semelhante, mas em contextos totalmente diferentes: medo de relacionamento. E esse medo tornou-se tão grande quão grande é a facilidade de se conseguir sexo sem envolvimento algum. Não condeno sexo casual. Acredito, na verdade, que ele é imprescindível em algumas fases da sua vida, por diversas razões. Porém, há uma banalização do sexo em nosso cotidiano, ao ponto em que as pessoas descoladas são aquelas que são somente casuais. Há também o caso de mulheres que querem a postura de liberdade masculina, que “pegam-sem-se-apegar”, somente pela satisfação do prazer imediato. Nessa sociedade cada vez mais hedonista em que vivemos hoje, não é de surpreender.

Nesse contexto, então, não deveria, mas me surpreendo quando um cara desiste de todo o processo de conquista e deixa explícito que está querendo sexo. E que você não enrole muito, porque ele não está afim de um relacionamento. Espera um pouco: desde quando o processo da conquista que, na minha opinião, é a melhor parte de conhecer uma pessoa nova, implica necessariamente em um relacionamento? Já me aconteceu de estar em situações em que haja um bom papo, clima agradável, boa música, um bom restaurante, e o cara olhar de minuto em minuto para o relógio, para chegar a hora de me deixar em casa, assumindo a certeza de que subiria ao meu amado AP. Nessa ocasião, simplesmente recusei a sua dileta companhia e subi sozinha, deixando o rapazote nos cascos por ter perdido tempo e com um discurso de que “não estou a fim de relacionamento, estou muito focado no trabalho, etc”. Até tentei explicar que também não era o meu caso, que apenas queria que ele se desse um pouco de trabalho de me fazer sentir vontade de ficar com ele, ao invés de meramente pressupor isso como uma consequência óbvia. Inútil.

Sigam-nos os bons...

Enfim, muitas falarão que sou uma encalhada, muitos que tive apenas más experiências. Entretanto, devo questionar: será mesmo? Até onde a presunção de que devemos, nós mulheres, isso aos caras com quem saímos não remete a uma postura obsoleta das relações repetindo-se no meio de tanta modernidade? Me pergunto ainda, e esse seria o mais importante dos questionamentos, uma vez que depende da posição dos homens, tema deste escrito: aonde anda essa disposição para a conquista? A parte mais deliciosa e mais instigante de conhecer uma pessoa legal e interessante, quando medimos a destreza de um bom macho, culturalmente falando, e quando eles ganham nossos instintos e nos deixam quase pedindo por uma noite de amor com um cara tão, tão… Essa parte está sendo por demais esquecida pelos homens. E isso é algo que eu ainda não entendo.

Há dias em que a inexorável vontade de ser feia se instala nos corações femininos. Improvável, mas possível. Há dias em que os saltos são deixados de lado e não há quem faça a criatura por alguma cor nas bochechas e lábios. Esses dias fatídicos trazem, de certa forma, uma tranquilidade a quem os vive, libertadora dos pés e peles cansados. Há, deveras, muitas vantagens nesses dias de feia: pode-se andar com a calça mais frouxa e o cabelo mais lambuzado, sem que se desperte a atenção de ninguém na rua, passa-se despercebida mesmo pela mais agitada construção ou obra. Pode-se também usar as roupas mais molambentas que se tem, e que geralmente são as mais confortáveis, sem que qualquer inquira o porquê de tal afronta. E há ainda os dias em que ser feia tira de tão sobrecarregada pessoa o centro das atenções e lhe dá um pouco de sossego.

Por fim, ser feia não é necessariamente ruim, sendo este um estado provisório e de escolha própria, ou mesmo passível à reversão, claramente. Uma pessoa feia, por mais que o seja, ou por menos, sempre está passível de melhora, sempre surpreenderá por mais discreta que seja a mudança para o pólo positivo. Vide a Gorete, do Pânico.

Uma pessoa muito bonita, ao contrário, não experimentará tal prazer. Sendo já tão bonita, as melhoras discretas não aparecerão, quase como se não existissem. E quem quer conviver com pessoas assim, tão perfeitas? A perfeição é entediante.

Depois de ler o texto de Jader Pires, na “Não-revista” Papo de Homem, lembrei o que nós mulheres vivemos esquecendo: somos muitas coisas todos os dias, mas existem aqueles que nos olham de longe e suspiram por nós, apesar das correrias. Então, me lembrarei de mexer no cabelo mais suavemente, de dar um sorriso de canto de boca mais dedicado e de caminhar mais vagarosamente pra ver balançar meu vestido, em homenagem àqueles que suspiram por mim. 😉

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Ela faz cinema

Chico

Composição: Chico Buarque

Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual

Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz

Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração
e quando o meu coração
Se inflama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim.