Arquivo de dezembro, 2010

Expectativa
ex.pec.ta.ti.va
sf (lat exspectare+ivo) 1 Situação de quem espera uma probabilidade ou uma realização em tempo anunciado ou conhecido. 2 Esperança, baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas. 3 Estado de quem espera um bem que se deseja e cuja realização se julga provável. 4 Probabilidade.

(Michaellis)

 

Conversávamos sobre expectativas. A ideia é a de que devíamos mantê-las mortas. Ou pelo menos mornas. Só assim seria possível levar um relacionamento com um futuro minimamente feliz. Dedicar-se ao outro sem esperar desse alguma retribuição, apenas pelo prazer de fazê-lo, e, principalmente, para que não se corra o risco de esperar em vão e sofrer. Matar a expectativa, na esperança de ser feliz. Irônico. O próprio vocábulo expectativa vem de esperar, ter esperança, afirma uma probabilidade de as coisas acontecerem. Se não há expectativas, não há o que esperar. E se não há o que esperar, não há probabilidade de que algo aconteça. Resta, sim, a probabilidade real de que as coisas aconteçam, mas a probabilidade sentida, aquela que te deixa as mãos suadas, o coração em palpitação e um sorriso bobo no rosto, essa sim estará morta.

Todos os conselhos “mudernosos” de que nos relacionamentos devemos apenas, tristemente, nos resignar em não esperar sermos atendidos em nossas expectativas apenas me diz que estamos covardemente esperando não sofrer. Aponta que nossos corações estão cada vez menos dispostos a passar pelas agruras do não-saber, não-ter-certeza de que seremos correspondidos ou de que aquele alguém para quem você dirige seus sentimentos mais nobres e belos simplesmente não sente e não fará a mesma coisa por você.

E isso remete a toda aquela discussão que tivemos, naquele outro dia que nem existiu, de que  as pessoas tomam Prozac para não sofrer com a morte do cachorrinho ou com a nota baixa da prova. Sofrer não faz mal, bem como esperar também não. Os excessos é que são os vilões, isso é clichê, porém, fato. Você, como eu, como qualquer pessoa, tem sim o direito de ter expectativas, de esperar ser retribuído, de ser amado igualmente. Você tem o direito de esperar que aquela pessoa ache o aniversário de namoro tão especial quanto você acha, de esperar que ela seja tão carinhosa quanto você o é. Na mesma medida, é imprescindível ainda entender o dark side disso: aquela pessoa também tem o direito de não o fazer. De não retribuir, de não achar que as coisas são do jeito que você acha que deveriam ser, ou mesmo de não ser tão carinhoso quanto você espera. E daí, cabe a você, e a essa pessoa, se a ela interessar, lidar com essa decepção. E mais uma vez, você estará no seu pleno direito se decidir não estar mais com essa pessoa que não corresponde às suas expectativas, se isto for incômodo o bastante para esfumaçar a relação, ou se decidir continuar mesmo assim. Isso não fará de você uma skinny bitch ou um loser.

O único fato que defendo é: não há, no mundo, quem tenha o direito de matar as suas expectativas. Ou seja, ninguém tem o direito de tomar sua esperança. Esperar que as coisas sejam melhores, que aquela seja a pessoa ideal, que daquela vez aquela pessoa vai lembrar do seu aniversário. Ninguém tem o direito de tomar o seu direito de esperar. Porque, ao final, é só isso que resta. Aproveito para dizer aos flutuadores do limbo nos relacionamentos que não tem expectativas, apenas deixam rolar, que nós, os sonhadores convictos, esperamos sempre e guardamos a certeza de que o melhor está aqui, em nossas mãos. E que mesmo que este não seja o melhor, guardamos a expectativa, melhor, a esperança, de que este ainda virá.

 

…porque toda anunciação era vã

Então, deixa ser como será… e crer pra ver o quanto eu posso adivinhar.