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… e que quer ter o direito de expressar-se contra a conduta gay de terceiros:

 

“Agora falo como psicóloga:

Uma pessoa que apresente um traço, conduta, característica ou comportamento que traga insatisfação pessoal, problemas ou dificuldades de interação social, ou que seja contrário a alguma crença dentro da qual foi criado, não significa que deva-se eliminar tal comportamento. É necessária uma análise funcional rigorosa que possa identificar quais as contingências mantenedoras dessa insatisfação. “Quero deixar de sentir tesão por outro homem ou por outra mulher” não é uma demanda fechada. Principalmente, porque não são essas as queixas. As queixas são sentir nojo durante o ato sexual, sentir-se deprimido após o ato, ou sentir-se sujo, apresentar um quadro de ansiedade geral na presença de pessoas do mesmo sexo, e principalmente, esconder-se para realizar o ato sexual. Não sei se vc conhece, mas existem as mesmas queixas em pacientes heterossexuais. Qual deveria ser a conduta do terapeuta? Eliminar o desejo dela por pessoas do sexo oposto?
A orientação geral do CFP e do código de ética é de utilizar-se de intervenções que eliminem qualquer desses sintomas para que, assim, a pessoa venha a compreender sua orientação. Se não houvesse esses fatores sociais que trazem os sintomas acima citados a pessoas de orientação homoafetiva, talvez pudéssemos considerar a procura espontânea como argumento que justifique a eiminação (ou sua tentativa) do desejo por pessoas do mesmo sexo.
Você afirma que as pessoas DEIXAM de ser gays. O que acontece é que você não vê aquela pessoa praticar ou falar sobre sexo  com pessoas do mesmo sexo. Você não mensura se ainda há ou não o desejo. Será se esta pessoa está curada ou simplesmente está CALADA?
Dessa forma, a questão está superada pela OMS, pelas orientações à saúde nacionais, regionais e por pesquisadores e cientistas sérios e, mais importante para esta discussão, pelo código de ética dos profissionais de psicologia. Se essa psicóloga atende gays para tratamento, ela está cometendo uma conduta criminosa, contrária ao código de ética que a rege enquanto PROFISSIONAL. Se ela quiser pensar assim como leiga, na sua igreja, na sua casa, isso não importa. Mas não pode e não deve atuuar PROFISSIONALMENTE segundo uma crença pessoal.
Outra coisa que devemos nos perguntar, nós psicólogos também, é: a pessoa “curada” está satisfeita, atendida? Ou apenas aliviada? E eu te explico a diferença: alguém que sofre de uma fobia social forte e tem crises agudas de ansiedade quando na presença de outras pessoas passa a não sentir esses sintomas, mas se ficar o tempo todo em casa. Ela está curada? Ou apenas aliviada? O contato social é algo do qual não se pode abrir mão, então, mudar a conduta é conseguir realizar o contato social sem apresentar esses sintomas de ansiedade. Recusar o contato para não sentir todos os respondentes, não ter a crise, não é cura, é evitação. Então, essas pessoas não tem mais desejos por pessoas do mesmo sexo? Ou apenas evitam esse contato para atender às expectativas sociais e religiosas de seu grupo cultural e social?
Mais uma vez eu tento deixar claro meu ponto de vista, que é de aceitação, que é de amor, talvez muito mais cristão do que a perseguição que algumas instituições promovem: é justo que você queira que uma pessoa viva de acordo com um dogma que é bom aos olhos de um determinado grupo, mas que destrua ela emocionalmente?
Se fosse um filho seu, o que você faria? “Trataria-o” e o veria suicidar-se aos 40 anos, vítima de um sentimento sufocado por anos? Negaria que ele, mesmo casado e com filhos, some de vez em quando, na saída do trabalho, pra ter relações que considera suja, mas não consegue evitar, com garotos de programa ou sem nenhuma afetividade envolvida? Ou permitiria que ele lidasse com esse sentimento, dando-o liberdade de ter uma relação amorosa saudável, estável e feliz, mas com uma pessoa do mesmo sexo?
O problema, meu amigo, não está em quem sente, está nos olhos de quem vê. Saia um pouco do seu dogma. Coloque-se no lugar do outro. Tenha empatia. Ame seu irmão e aceite-o como ele é. Jesus disse isso. Jesus nunca disse: persiga, mate, aponte o dedo, julgue.
Só pra terminar, gostaria que você parasse de falar que “nós, cristãos” pensam assim. Sou cristã, espírita, com dogmas e fé, mas consigo observar nas palavras de Jesus que deve haver caridade. Por mais que você não concorde com a orientação homoafeitva, não é você que deve apontar o dedo na cara de uma pessoa que já sofre o suficiente os preconceitos dessa nossa sociedade que não olha os próprios defeitos. Deixe que as pessoas vivam algo que não lhes faz mal, nem faz mal a você. Se assim, livres dessa exclusão social, essas pessoas ainda quiserem eliminar essa orientação, aí sim poderemos discutir.”

Por favor, se você discorda de uma conduta, que vai contra os seus princípios ou contra a religião que você cresceu e que seu grupo cultural acredita, antes de apontar seu dedo na cara de alguém, pense em duas questões básicas:

1. Essa conduta me prejudica? Me atinge diretamente? Atinge à minha saúde? Me faz mal porque me atrapalha na minha vida social?

2. Essa conduta prejudica a pessoa a quem a pratica? Tolhe seus direitos, machuca-a de alguma forma? Torna-a menos saudável?

Se a respostas a essas perguntas forem NÃO, então não seja totalitário e não permita que uma crença sua torne a vida das pessoas mais difícil. Olhe pro seu umbigo e mude em você o que ainda está errado. Tenho certeza de que será trabalho suficiente para toda uma existência.

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Meio tarde para uma retrospectiva, afinal a primeira semana de janeiro já se foi, mas algumas revisões são necessárias para compilar as aprendizagens por trás dos fatos. O post do Papo de Homem sobre “coisas que você fez e gostaria de repetir em 2010” me inspirou, mas devo dizer que muitas coisas aqui listadas eu não gostaria de repetir.

1.       Parafraseando outra pessoa, digo que, em 2010, eu terminei um relacionamento com uma pessoa de quem gostava muitíssimo, mas por motivos racionais. E com a passagem do tempo tive cada vez mais certeza de que foi a coisa certa a fazer. Vejo as pessoas cada vez mais presas em relacionamentos sem nenhuma perspectiva, sofrendo por isso, mas sem coragem de acabar com tudo. Tive o guts de fazer isso e não voltar atrás, o que poderia prolongar um sofrimento desnecessário. Deu pra aprender também, nessa história, que por mais que seus amigos tentem te ajudar, “abrir os olhos”, essa é uma decisão muito solitária.

2.       Em 2010, também ganhei uma família postiça, com direito a almoços familiares, sobrinhos, tios, aniversários e todos os eventos e situações anexas. Foi uma descoberta muito boa, principalmente porque me fez repensar e amar ainda mais a minha própria família de origem.

3.       Entrei no mestrado que deveria ser dos meus sonhos e acabei descobrindo que não é nada disso que eu quero. Em 2011 vou terminar essa praga, mas só porque não tenho o hábito de começar as coisas e não terminar. Descobri também que, em muitas profissões, você não precisa de um diploma acadêmico para mostrar que é um bom profissional, no entanto, em muitas áreas isso não é verdade, infelizmente.

4.       Reavaliei e reforcei a maioria das minhas amizades em Brasília. Aprendi o quanto é importante ter não uma, mas várias referências para todas as categorias de necessidades que você tenha. Aquele amigo do chopp, aquele de filosofar, aquele pra rir e falar bobagem, aquele pra falar de coisas nerds, enfim… Dá pra coligar todas essas categorias no mesmo amigo, ou em poucos, mas às vezes também não dá. E é bom respeitar o limite de cada um.

5. Low expectations suck! Tirando a parte de que é realmente necessário entender os limites das pessoas e não cobrar além do que elas são capazes de te oferecer, manter expectativas baixas quanto aos acontecimentos da vida é uma bosta! Aprendi em 2010 isso: que temos que esperar coisas boas, esperar ter alegrias, esperar o melhor das pessoas, esperar, do verbo ter esperança. Pessoas como a Paty me ensinaram que amar as coisas que acontecem na sua vida, amar as pessoas, os momentos, curtir aquela música melosa como se estivesse completamente apaixonada, mesmo não tendo ninguém, é algo muito enriquecedor.

6. Também em 2010, me encontrei mais espiritualmente.  Consegui achar em mim uma porção de Deus que estava perdida, muito ligada a ideia de ter esperança, que de certa forma é muito parecido com ter fé. Para isso, deixei de consumir bebidas alcoólicas por um tempo, principalmente cerveja (que eu adooro), e passei por uma fase de recolhimento, pra reconhecer partes de mim que estavam diluídas no mundo do lado de fora. Está sendo, porque ainda não acabou, uma experiência muito edificante, mas a minha fase de recolhimento está passando e decididamente eu já voltei a tomar a velha e boa cervejinha de happy hour. Sem exageros.

7. Voltei em casa algumas vezes esse ano de 2010 e descobri que não pertenço mais ao meu antigo lugar lá. As coisas mudaram, penso e sinto cada vez mais diferente de lá, a família e os amigos pensam e falam, vivem uma vida que é bem diferente da minha, em termos de objetivos, planos, sonhos, desejos. Mas também ainda não me sinto totalmente apegada à nova vida que tenho hoje. Desejo ainda muitas coisas que, sinceramente, acho que não chegarão. É como essa ideia louca que tenho de quão boa seria a minha vida se eu tivesse a vida que tenho aqui com as pessoas que tenho lá. Como isso não vai acontecer, tenho que aprender a sonhar coisas novas.

Dá pra perceber que 2010 não foi lá um ano de grandes acontecimentos, mas de grandes reflexões. Foi um ano pra dentro. Como 2009 tinha sido um ano pra fora. Acho que 2011 ainda tem muito a me surpreender, eu que já vivi 2010 com medo de surpresas, saio da toca e espero um ano equilibrado, pra  dentro e pra fora.

 

Iniciando o ano de 2011 com algumas constatações. Primeiro, de que as coisas sempre mudam. Segundo, que o tempo é o senhor das mudanças, por mais que as ações da natureza e do homem se manifestem. Terceiro, que o tempo também é o senhor da constância. Rege seu cajado sobre certas coisas que não mudarão ainda.

Chico Buarque comenta, nesse vídeo abaixo, a Teoria do Homem Cordial, formulada pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, seu pai. O homem que segue seus sentimentos, que é avesso às formalidades e, principalmente, tem uma necessidade de contato social tão urgente quanto uma necessidade básica.

Eu entro o ano falando do tema mais recorrente de 2010, não só aqui, mas em muitos blogs, mídias, conversas de botequim, reuniões de amigos, monólogos no chuveiro…

“O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho…”

A fórmula hollywoodiana é essa: encantar os olhos ansiosos dos espectadores e criar uma supra-identificação com herois e heroínas, mocinhos e mocinhas das películas. Mais recentemente com os bad guys ou anti-herois. Não entendo nada de cinema, que o Junior me corrija se começar a falar baboseiras, rs. Assisti esses dias Comer, Rezar, Amar, mais porque a sessão de Tropa de Elite 2 estava lotada. Criei uma expectativa desagradável do filme devido à fama de auto-ajuda do livro de Elizabeth Gilbert, mas de certa forma, me surpreendi.

A mocinha Elizabeth (Julia Roberts) está numa crise existencial fortíssima, acaba um casamento aparentemente bem-sucedido, mas infeliz e sai pelo mundo por um ano, sem lenço sem documento, mas com alguns dólares na conta bancária, para descobrir quem ela é de verdade. Minha mãe, comentando sobre o filme: “deve ser triste”, mas é um filme alegre, com algumas boas tiradas de humor e um happy end.

Happy end com Javier Bardem... hummm...

 

No filme, Liz decide encontrar a si mesma, e segue um roteiro descrito pelo próprio título do livro: vai à Itália para comer e apreciar os prazeres de um bom garfo e um bom vinho, sem preocupações estéticas, sem culpa e sem vontade de ir à balança depois de vários e vários pratos de pasta. A lição da Itália é aproveitar o que se pode fazer de bom na companhia de pessoas interessantes, amigas e simpáticas: comer e beber bem. Em seguida, Liz vai à Índia, rezar. Aprender a estar consigo mesma e com Deus. Tenta a meditação, frustra-se em conseguir o no mind e, mais uma vez, tem o apoio de uma pessoa aparentemente grosseira e simples, mas que acaba demonstrando grande sabedoria adquirida após muito sofrimento, ao bom e velho estilo americano. Sua lição aí é aprender a perdoar suas faltas, assim como perdoar a quem a tiver ofendido. Uma das cenas mais tocantes, para a minha pessoa, foi aquela em que Liz dança com seu ex-marido e, enquanto ele insiste no apego ao sentimento que tem por ela, Liz não o condena, nem diz o que ele deve fazer, apenas pede que ele deixe-a ir e, quando pensar nela, envie muita luz e amor. Por último, Liz vai a Bali procurar um guru que motivou toda essa busca inicialmente, e lá acaba encontrando um brasileiro (ah, os brasileiros/latinos…) que também está fugindo das complicações do mundo real, curando-se de algumas feridas sentimentais. Como é de se esperar, eles se encantam um pelo outro, mas ela foge por medo de sofrer de novo e perder o equilíbrio que havia conseguido sozinha ao longo do filme. No finalzinho mesmo, o guru diz que ela deve chutar o pau da barraca e ficar com o brasileiro, porque até o equilíbrio precisa de um pouco de desequilíbrio. Fim.

O filme é simples, é previsível, mesmo assim encanta em algumas particularidades. Até porque, quem nunca sonhou em viajar pelo mundo afora, aproveitando culturas diferentes, pessoas diferentes e interessantes, sem trabalho, reclamações e cobranças por um ano? Férias dos sonhos.

Só espero estar curada da minha intolerância à lactose até lá.

A particularidade está nos detalhes que talvez só o livro mostre. Folheei um exemplar na Saraiva do Park Shopping e passei por um trecho que dizia assim: “mais uma noite solitária em Roma”. Isso está marcado no filme também quando ela aprende a palavra sola e repete: lonely. Outra parte interessante é a pergunta frequente em todas as culturas: “mas você não é casada?”, e os comentários “você precisa de um homem!”. Já em Bali, Liz comenta: “não agüento mais todos me dizendo que preciso de um homem”. É muito interessante observar, com o bom humor que a questão merece, a constante cultural da mulher incompleta, que precisa de um homem. Todo o cinema riu junto quando uma balinesa local pergunta à Liz: você não tem um homem? Então você é lésbica?”, rsrs.

Nós sempre nos identificamos com os mocinhos e mocinhas dos filmes, com a sua luta, com as suas descobertas. Nesse filme, um pouco mais especialmente, porque crises existenciais, a necessidade de encontrar-se consigo mesmo e a tropa de viajantes solitários pelo mundo aumentaram consideravelmente nesses tempos de agora. E ao mesmo tempo em que se busca muito, muito ainda é esperado do acaso, dos acontecimentos fortuitos, das coincidências inesperadas. Eu me identifiquei com Liz. Estava indo ao cinema sozinha, como parte de um exercício de estar bem comigo mesma, todas as quartas possíveis. Planejando várias viagens, já realizei algumas, faltam muitas. Minha busca por uma força superior está se tornando cada vez mais frequente. Mas a modificação que já se deu aqui dentro, todas as coisas que hoje são diferentes e todos os sentimentos novos, são coisas que ainda não se pode ver a olho nu. Estão cá dentro comigo, movimentando-se, hiperbolicamente, até quem sabe um dia.

Uma menina e seu carro

Publicado: outubro 4, 2010 em cotidiano, inícios... u.u

“Porque não adianta nada ter um Código de Trânsito melhor que o sueco, ter tecnologia americana e bulevares franceses se não temos suecos, americanos e franceses para honrá-los e segui-los. O motorista é brasileiro e não obedece às leis.”

Roberto da Matta, na revista Trip de 08.09.2010


Roberto da Matta é um antropólogo, de vasta experiência sobre o Brasil e seus brasileiros, que decidiu sair das selvas amazônicas e se emaranhar nas selvas urbanas para entender e explicar as práticas sociais brasileiras. Depois de pesquisar o universo do carnaval, do futebol e do jogo do bicho, Da Matta afirma que podemos  explicar a economia e cultura dos países através do trânsito e do comportamento de seus motoristas. Na versão online da revista Trip, comenta sobre seu novo livro, Fé em Deus e Pé na Tábua, e sobre como nós brasileiros vivemos “a ilusão de que ter um carro é sinônimo de sucesso”.

Estando no papel de uma potencial e ansiosa compradora de um novo veículo, o tema me chamou bastante atenção. Da Matta afirma que ainda nos sentimos nos tempos aristocráticos, onde escravos nos carregavam nas cadeirinhas, e que o comportamento dos brasileiros no trânsito ainda está muito ligado à nossa falta de noção de igualdade jurídica. O bêbado é sempre o outro, o barbeiro também. É um absurdo dirigir e beber, mas eu sei o meu limite e consigo dirigir até em casa depois de algumas cervejas. O cinto de segurança é só para o outro, a proibição do uso do celular é só pra quem não tem habilidade suficiente para manejar o carro, e por aí vai. Essa visão de desigualdade não é nada rara de se encontrar em seu círculo social, você possivelmente já se lembrou de alguém assim.  A visão mais sutil, mas que ainda é fácil de observar ao seu redor, é o status social de possuir um carro. Uma vez uma colega fez as contas na ponta do lápis de quanto gastaria para obter um carro versus gastos com taxi, metrô e ônibus durante um ano. Surpreendentemente, pelo menos para mim, um carro não é assim tão vantajoso no aspecto financeiro, mas quando há bom atendimento no transporte público. Esse último ponto não é novidade, bem como não é novidade a precariedade do nosso transporte público brasileiro.

Há outro ponto mais acima de nossas cabeças, mais precisamente na América do Norte, que talvez tenha uma influência que não mereça ser descartada.  Quando penso em possuir um carro, apesar de realmente identificá-lo como um símbolo de ascensão social, a ideia mais pungente é a de liberdade de movimentos. A possibilidade de ir e vir, a longas e curtas distâncias, sem precisar esperar, sem ter hora de ir ou voltar, sem a intermediação de nenhuma outra pessoa, me atinge como uma lufada de brisa fresca de mar. Essa visão da liberdade de ir e vir em um automóvel faz parte da construção do ideário americano de liberdade, com suas free-ways e highways, e, claro, sua necessidade de vender carros. A necessidade americana de poder ir e vir sem restrições, sozinho, pensando na vida e cantarolando sua música preferida, nos atingiu através de Hollywood e da publicidade. As longas distâncias nas quais nos impusemos viver também contribuem fortemente para a crescente necessidade de deslocamento. Visto que moro em Brasília, para quem conhece as distâncias e segregações geográficas do Distrito Federal ou sua fama, pode mensurar o tamanho da necessidade.

Não discordo de Da Matta, nosso comportamento no trânsito precisa ser modificado a partir de mudanças sérias em nossas práticas sociais e necessidades. Mas quem nunca sonhou em dirigir seu possante, em velocidade razoável, numa estrada livre de obstáculos, cantando em alto e bom som seu melhor La-ra-ra-ra…? 😉

“Don’t lose any sleep tonight
I’m sure everything will end up alright
You may win or lose
but be yourself is all that you can do”

upside down

Publicado: julho 18, 2010 em english stuff, inícios... u.u

Who’s to say I can’t do everything?
Well I can try, and as I roll along I begin to find
Things aren’t always just what they seem

I want to turn the whole thing upside down
I’ll find the things they say just can’t be found
I’ll share this love I find with everyone
We’ll sing and dance to mother nature’s songs

Who’s to say what’s impossible and can’t be found?
I don’t want this feeling to go away
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