Arquivo da categoria ‘só acontece comigo…’

Meio tarde para uma retrospectiva, afinal a primeira semana de janeiro já se foi, mas algumas revisões são necessárias para compilar as aprendizagens por trás dos fatos. O post do Papo de Homem sobre “coisas que você fez e gostaria de repetir em 2010” me inspirou, mas devo dizer que muitas coisas aqui listadas eu não gostaria de repetir.

1.       Parafraseando outra pessoa, digo que, em 2010, eu terminei um relacionamento com uma pessoa de quem gostava muitíssimo, mas por motivos racionais. E com a passagem do tempo tive cada vez mais certeza de que foi a coisa certa a fazer. Vejo as pessoas cada vez mais presas em relacionamentos sem nenhuma perspectiva, sofrendo por isso, mas sem coragem de acabar com tudo. Tive o guts de fazer isso e não voltar atrás, o que poderia prolongar um sofrimento desnecessário. Deu pra aprender também, nessa história, que por mais que seus amigos tentem te ajudar, “abrir os olhos”, essa é uma decisão muito solitária.

2.       Em 2010, também ganhei uma família postiça, com direito a almoços familiares, sobrinhos, tios, aniversários e todos os eventos e situações anexas. Foi uma descoberta muito boa, principalmente porque me fez repensar e amar ainda mais a minha própria família de origem.

3.       Entrei no mestrado que deveria ser dos meus sonhos e acabei descobrindo que não é nada disso que eu quero. Em 2011 vou terminar essa praga, mas só porque não tenho o hábito de começar as coisas e não terminar. Descobri também que, em muitas profissões, você não precisa de um diploma acadêmico para mostrar que é um bom profissional, no entanto, em muitas áreas isso não é verdade, infelizmente.

4.       Reavaliei e reforcei a maioria das minhas amizades em Brasília. Aprendi o quanto é importante ter não uma, mas várias referências para todas as categorias de necessidades que você tenha. Aquele amigo do chopp, aquele de filosofar, aquele pra rir e falar bobagem, aquele pra falar de coisas nerds, enfim… Dá pra coligar todas essas categorias no mesmo amigo, ou em poucos, mas às vezes também não dá. E é bom respeitar o limite de cada um.

5. Low expectations suck! Tirando a parte de que é realmente necessário entender os limites das pessoas e não cobrar além do que elas são capazes de te oferecer, manter expectativas baixas quanto aos acontecimentos da vida é uma bosta! Aprendi em 2010 isso: que temos que esperar coisas boas, esperar ter alegrias, esperar o melhor das pessoas, esperar, do verbo ter esperança. Pessoas como a Paty me ensinaram que amar as coisas que acontecem na sua vida, amar as pessoas, os momentos, curtir aquela música melosa como se estivesse completamente apaixonada, mesmo não tendo ninguém, é algo muito enriquecedor.

6. Também em 2010, me encontrei mais espiritualmente.  Consegui achar em mim uma porção de Deus que estava perdida, muito ligada a ideia de ter esperança, que de certa forma é muito parecido com ter fé. Para isso, deixei de consumir bebidas alcoólicas por um tempo, principalmente cerveja (que eu adooro), e passei por uma fase de recolhimento, pra reconhecer partes de mim que estavam diluídas no mundo do lado de fora. Está sendo, porque ainda não acabou, uma experiência muito edificante, mas a minha fase de recolhimento está passando e decididamente eu já voltei a tomar a velha e boa cervejinha de happy hour. Sem exageros.

7. Voltei em casa algumas vezes esse ano de 2010 e descobri que não pertenço mais ao meu antigo lugar lá. As coisas mudaram, penso e sinto cada vez mais diferente de lá, a família e os amigos pensam e falam, vivem uma vida que é bem diferente da minha, em termos de objetivos, planos, sonhos, desejos. Mas também ainda não me sinto totalmente apegada à nova vida que tenho hoje. Desejo ainda muitas coisas que, sinceramente, acho que não chegarão. É como essa ideia louca que tenho de quão boa seria a minha vida se eu tivesse a vida que tenho aqui com as pessoas que tenho lá. Como isso não vai acontecer, tenho que aprender a sonhar coisas novas.

Dá pra perceber que 2010 não foi lá um ano de grandes acontecimentos, mas de grandes reflexões. Foi um ano pra dentro. Como 2009 tinha sido um ano pra fora. Acho que 2011 ainda tem muito a me surpreender, eu que já vivi 2010 com medo de surpresas, saio da toca e espero um ano equilibrado, pra  dentro e pra fora.

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Lenine, Teatro Mágico e… perfeito! Alceu Valença.

Paty e sua boa energia. Desnecessários, porém essenciais: expulsão do Kaká, chope derramado e batatas fritas calóricas.

Saudade e vontade do São João da rua do meu vô.

E uma música pra fechar o final de semana.

Meu coração tá batendo
Como quem diz:
“Não tem jeito!”
Zabumba bumba esquisito
Batendo dentro do peito…

Teu coração tá batendo
Como quem diz:
“Não tem jeito!”
O coração dos aflitos
Pipoca dentro do peito
O coração dos aflitos
Pipoca dentro do peito…

Coração-bôbo
Coração-bola
Coração-balão
Coração-São-João
A gente
Se ilude, dizendo:
“Já não há mais coração!”…

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(Só queria que se resolvesse logo… 😦 )

… se eu tiver coragem de ter um algum dia, hehehe.

Maldito papai noel neoliberal, hehehe.

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raiva

calvin

bebê zangado (mais…)

Brasília é a Ferrari

E eu sou o Felipe Massa:

Estão acabando com meu talento.

(e isso, apesar da ironia patente, é uma coisa triste).

Se você é psicólogo, orgulhoso de sua profissão, assim como eu, aprenda uma lição que aprendi a duras penas: não diga que você é psicólogo, terapeuta, ou afins, numa balada. A reação tosca é unânime, o abençoado com o qual você está conversando-paquerando-querendo pegar sempre vai vir com essa tosquice: “você está me analisando agora?” Se não estava, acabei de começar e o diagnóstico é: tosco, fim da fila. Às vezes é uma curiosidade genuína e devido aos seus bons atributos você até consegue adiar o diagnóstico pra depois do beijo, ver se cola, e tal. Mas, continuar a noite inteira explicando que não dá pra analisar alguém a 1h da manhã, no escuro, com música alta e a terapeuta mais alta ainda, é osso. Pior ainda é quando o abençoado perde completamente a espontaneidade depois de revelado que você tem “superpoderes”, segundo a visão dele. Porque só com superpoderes pra eu responder à tosquice: “então diz aí quem eu sou! O que você pensa de mim?” E, você, amiga psicóloga, tenta salvar a noite dizendo que não dá pra sacar alguém assim tão rápido e, se até estiver de bom humor, jogar aquela piadinha indecorosa do trocadilho “conhecer você melhor” pra ver se o abençoado se toca.

De qualquer forma, já perdeu 50% da graça só a brincadeirinha tosca do “você está me analisando?”. Os 100% mesmo perde o cara que quer perder o tempo dele, mas principalmente o seu, passando a noite inteira falando de si, dos próprios comportamentos, e de como aquela conversa pode ajudar você a dar dicas pra ele de como se comportar. Tosco. O pior é que se a descuidada der trela, a história sempre acaba na ex-namorada e porque eles terminaram e como ainda são amigos e blá, blá, blá. E se você banca a, perdão, escrota, e ainda joga o sarcasmo “dá pra notar que você ainda fala muito dela, né?”, tipo, vai resolver o teu problema com a ex e me deixa de mão, o abençoado ainda solta a pérola “pára de me analisar, falei que você estava me analisando”. Até uma ameba o faria. E eu só faço no consultório, por 100 reais a hora. É, os preços de Brasília são mais caros…

Assim, já me redimi do pecado de expor minha profissão na balada, desde o último que soltou a pérola: “noooossa, eu odeio psicóloga! Fui reprovado em um psicotécnico de concurso.”  ¬¬ Ainda bem que esse se consertou a tempo, parou de explorar o lance de psicóloga na conversa e deu tudo certo. Mas, continuo firme e forte no conselho do meu amigo Dyego, psicólogo, doutor e mais experiente na arte de negar a profissão em determinadas ocasiões: “Julie, diz que é professora de inglês”.